Ive looked at life from both sides now; From win and lose and still somehow; Its lifes ILLUSIONS I recall; I really dont know life at all.


Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Semente



Se houvesse uma semente
Que eu pudesse semear
Eu fazia um canteiro
No melhor do meu jardim
Protegia-o da geada
Dava-lhe o sol a beijar
Tratava do meu canteiro
Como se fosse de mim

E se a flor tivesse as cores
E os reflexos da tua voz
Se tivesse o mesmo cheiro
E o porte que já te vi
Acreditas que eu teria
Plantada no meu jardim
Pintada na minha alma
Se não te posso ter a ti

Luís Portugal, Uma Semente

"Tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa (...)"
Antoine de Saint-Exupéry

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

Desencontro

Se ela pressentisse
O olhar que me devolve
As ânsias sem idade
Os olhares ao espelho sem piedade
A verdade foge trémula e sem serenidade

Se ele sentisse
Só por uma vez
Que paro quando fala
Que rio quando olha
E coro quando é para mim
E quero que me agarre

Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero

Ela vai rir-se quando lhe contar
Que um dia quis dar-lhe o mundo
Mas não a soube chamar
O seu cheiro passa solto
E leve como o ar

Ele vai ter um sonho por guardar
O tempo não tem escolha
E a alma passou longe
Adeus! Será que é Adeus?
Eu não te perco mais

Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero

Se ela pressentisse
O olhar que me devolve
As ânsias sem idade
Os olhares ao espelho sem piedade
A verdade foge trémula e sem serenidade

Se ele sentisse
Só por uma vez
Que paro quando fala
Que rio quando olha
E coro quando é p'ra mim
E quero que me agarre

Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero

Luis Represas e Simone

Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Sei de um rio



Sei de um rio, sei de um rio
Em que as únicas estrelas nele sempre debruçadas
São as luzes da cidade
Sei de um rio, sei de um rio
Onde a própria mentira tem o sabor da verdade
Sei de um rio…
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede, mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Sei de um rio, até quando

pedro homem de mello


(...)

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Uma Torre no Céu...



Foi apenas ontem
que nos encontrámos num sonho.
Cantaste para mim,
na minha solidão,
e dos teus sonhos
construi uma torre no céu.

Mas agora o nosso sono fugiu,
terminou o nosso sonho,
e já não é madrugada.

Cai sobre nós o meio-dia
e a nossa semi-vigilia
transformou-se em dia pleno
e temos de separar-nos.

Se no crespúsculo da memória
nos encontrarmos uma vez mais,
juntos falaremos outra vez
e cantar-me-ás
uma canção mais profunda.

E se as nossas mãos
se encontrarem noutro sonho,
construiremos outra torre no céu.

O Adeus; de "O Profeta", Khalil Gibran

para mei amiha

Sábado, 5 de Janeiro de 2008

...

...
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

.Fernando Pessoa. (?)

Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Renascer



(...)
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
(...)

Fernando Pessoa (Obrigado Lis)

Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Coração IV - Viagem ao fundo do coração



Fui ao fundo do coração. Regressei (não encontrei a alma).

---- Mensagem retirada ----


.

Coração III

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa

Coração II - Fala ao coração

Meu Coração, não batas, pára!
Meu Coração, vai-te deitar!
A nossa dor, bem sei é amarra,
Meu Coração, vamos sonhar...
Ao mundo vim, mas enganado.
Sinto-me farto de viver:
Vi o que ele era, estou maçado,
Vi o que ele era, estou maçado,
Não batas mais! Vamos morrer...
Bati à porta da Ventura
Nimguém ma abriu, bati em vão:
Vamos a ver se a sepultura,
Vamos a ver se a sepultura,
Nos faz o mesmo, Coração!
Adeus Planeta! adeus ó Lama!
Que ambos nós vais digerir.
Meu Coração, a velha chama,
Meu Coração, a velha chama,
Basta, por Deus! vamos dormir...

António Nobre

Coração I - Rifa-se um coração


Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta
Clarice Lispector

Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

Gota de Água



Eu, quando choro,
não choro eu.
Chora aquilo que nos homens
em todo o tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas
mas o choro não é meu.

António Gedeão

Dez réis de esperança

Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

António Gedeão

Domingo, 4 de Novembro de 2007

Dragões sem contos de fadas

"Pensamos às vezes que não restou um só dragão.
Não há mais qualquer bravo cavaleiro, nem nenhuma princesa a planar pelas florestas secretas, encantando cervos, e borboletas com o seu sorriso.
Pensamos às vezes que a nossa era está além das fronteiras, além das aventuras. Que o destino já passou do horizonte, as sombras reluzentes já desfilaram há muito tempo, e se foram para sempre.
É um prazer estar enganado.
Princesas e cavaleiros, encantamentos e dragões, mistérios e aventuras...não apenas existem aqui e agora, mas também continuam a ser tudo que já existiu nesse mundo!
Em nosso século, mudaram de roupagem, como não podia deixar de ser. Os dragões ostentam hoje a vestimenta do governo, o terno do fracasso e a túnica do desastre. Os demônios da sociedade guincham, turbilhonam sobre nós, se nos atrevemos a virar à direita em esquinas em que nos mandaram virar à esquerda. As aparências se tornaram tão insidiosas que princesas e cavaleiros podem se esconder uns dos outros, podem se esconder até de si mesmos.
Contudo, os mestres da realidade, ainda nos encontram em sonhos para dizer que nunca perdemos o escudo de que precisamos contra os dragões, que uma descarga de fogo azul nos envolve agora, a fim de que possamos mudar o mundo como desejamos .
A intuição sussurra a verdade:
“ Não somos poeira , somos magia”! "
R.Bach

Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Falar

Encontrei ontem numa folha colada numa parede de um gabinete. Como só tive tempo de ler o primeiro parágrafo, fixei a primeira frase, procurei rapidamente o nome do autor ao fundo e logo que pude procurei na net. Encontrei "Falar" de Martha Medeiros. Reparei que há por aí mais coisas dela. Eu não conhecia.

"Dizer o que se sente é considerado uma fraqueza. Ao sermos absolutamente sinceros, a vulnerabilidade instala-se. Perde-se o mistério que nos veste tão bem, ficamos nus. E não é este tipo de nudez que nos atrai. Se a verdade pode parecer perturbadora para quem fala, é extremamente libertadora para quem ouve. É como se uma mão gigantesca varresse num segundo todas as nossas dúvidas. Finalmente se sabe. Mas sabe-se o quê? O que todos nós, no fundo, queremos saber: se somos amados.

Tão banal, não? E no entanto esta banalidade é fomentadora das maiores carências, de traumas que nos aleijam, nos paralisam e nos afastam das pessoas que nos são mais queridas. Porquê a dificuldade de dizer a alguém o quanto ele é – ou foi – importante? Dizer não como recurso de sedução, mas como um acto de generosidade, dizer sem esperar nada em troca. Dizer, simplesmente. A maioria das relações – entre amantes, entre pais e filhos, e mesmo entre amigos – ampara-se em mentiras parciais e verdades pela metade.

Podem-se passar anos ao lado de alguém, dizer coisas inteligentíssimas, citando poemas, esbanjando presença de espírito, sem alcançar a delicadeza de uma declaração genuína e libertadora: dar ao outro uma certeza e, com a certeza, a liberdade. Parece que só conseguiremos manter as pessoas ao nosso lado se elas não souberem tudo. Ou, ao menos, se não souberem o essencial. E assim, através da manipulação, a relação passa a ficar doentia, inquieta, frágil. Em vez de uma vida a dois, passa-se a ter uma sob revida a dois.

Deixar o outro inseguro é uma maneira de prende-lo a nós – e este "a nós" inspira um providencial duplo sentido. Mesmo que ele se tente libertar, estará amarrado aos pontos de interrogação que coleccionou. Somos sádicos e avaros ao economizar os nossos "eu perdoo-te", "eu compreendo-te", "eu aceito-te como és" e o nosso mais profundo "eu amo-te" – não o "eu amo-te" dito ás pressas no final de uma ligação telefónica, por força do hábito, e sim o "eu amo-te" que significa: "sê feliz da maneira que tu escolheres, o meu sentimento permanecerá o mesmo". Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto. Oprimi-la é trabalho para uma vida. Mais que as mentiras, o silêncio é a verdadeira arma letal das relações humanas."

"Falar", Martha Medeiros

Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Asas



Asas servem p’ra voar
Para sonhar ou p’ra planar
Visitar, espreitar, espiar
Mil casas do luar

As asas não se vão cortar
Asas são p’ra combater
Num lugar infinito
Num vácuo para ir espiar o ar

Asas são p’ra proteger
Te pintar, não te esquecer
Visitar, te olhar, espreitar-te
Bem alto do luar

E só quando quiseres pousar
A paixão que te roer
É o amor que vês nascer
Sem prazo, idade de acabar
Não há leis para te prender
Aconteça o que acontecer

Mas só quando quiseres pousar
A paixão que te roer
É o novo amor que vês nascer
Sem prazo, idade de acabar

Não há leis para te prender
Aconteça o que acontecer
Não vejo mais p’ra te prender
Aconteça o que acontecer

Não há leis para te prender
Aconteça o que acontecer

Letra da Música "Asas"

Domingo, 28 de Outubro de 2007

Metade

Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

Que a vida compense...



A música que vão ouvir é brincadeira
Vampiros não existem, mas sim,
Existem de outra maneira
Alguém suga coisas em você e em mim
A morte é igual, falsa e verdadeira
Mãe do início, avó-do-fim
Que seja a morte o fim da esperança
A morte é o beijo que ficou sem graça
É a velha que já não dança
É quem não gosta de você de graça
É o ciúme que devora e cansa
É a paixão que te incendeia e passa
A morte é a família que te odeia
É a inveja de quem você adora
Como um sangue que sabota a veia
É a tua espera quando alguém demora
É o amigo lá da tua aldeia
Que esqueceu aonde você mora
Que seja a morte a morte de quem você quer bem
É o vício de quem espera a sorte
Pra quem a sorte nunca vem
É a morte de quem vem do Norte
E passa a vida esperando o trem
É o pai que não diz que te ama
Para alguns, Castelo de Vestal
Pra mim é quando alguém me engana
Para alguns é só ponto final
A morte é o quadro-negro com saudade da mão com giz
Para alguns é dor
Para outros, sossego
A platéia vazia é a morte da atriz
Por fim, é um brinde a viver sem medo
Que a vida compense
E que seja feliz

No velho castelo de vestal
Entre antigos copos de cristal
Bebem os vampiros e os anões
À saúde do seu rei
Desirée princesa do local
Namora com a noite e o temporal
Velho inimigo das paixões
Levou seu amado rei

A mágica ensina o que a lógica evita
Princesa acredita, viver é bom
Por mais que pareça que a dor é infinita
Princesa acredita, viver é bom
Olha princesa, a dor de viver
É a dor de não ter a resposta
Em seguida do gesto
É a dor de não ver o exato contorno
Do que se queria enxergar
Ah, da pena de ver
O sutil descompasso, o total desacerto
Entre a água e a sede
Entre o peixe e a rede
Entre a linha e o ponto
E esse tal desencontro, princesa
É a dor de viver
Queria te dar tanta coisa bonita
Princesa acredita, viver é bom.

"Que a vida compense e que seja feliz"
Oswaldo Montenegro e Lavínia Vlasak

Como posso continuar



Como posso continuar
Desta maneira
É como se todo o sal
Fosse retirado do mar
Eu ficaria destronado
Eu estaria nu e sangraria
Mas quando seu dedo
Acusa tão selvagemente
Será que há alguém aí
Para acreditar em mim
Para ouvir meu apelo
E para cuidar de mim?

Como posso continuar
Dia após dia
Quem pode me fortalecer
Em todas as maneiras
Onde posso estar seguro
Onde posso pertencer
Neste gigantesco mundo grande
De tristeza
Como posso esquecer
Aqueles lindos sonhos
Que partilhamos
Eles estão perdidos e eles
Não estão em parte alguma, para se encontrar
Como posso ir em frente

Algumas vezes eu tremo
Completamente na escuridão
Eu não posso ver
Quando as pessoas me assustam
E eu tento me esconder
Bem longe da multidão
Será que há alguém aí
Para me confortar
Senhor para ouvir meu apelo
E para tomar conta de mim

Como posso prosseguir
Dia após dia
Quem pode me fazer forte
Em todas as formas
Onde posso estar seguro
Onde posso pertencer
Neste gigantesco mundo
grande
De tristeza
Como posso esquecer
Aqueles lindos sonhos
Que dividimos
Eles estão perdidos e não estão
Em parte alguma, para serem encontrados
Como posso continuar

How Can I Go On (tradução)
Freddie Mercury

Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007


Aqueles que passam por nós,
não vão sós, não nos deixam sós.
Deixam um pouco de si,
levam um pouco de nós.

- Antoine de Saint-Exupery

Tem certas coisas que são para sempre. Outras não.
Minha mãe é para sempre. Meus amigos não são. Alguns sim. Outros não.
Não é interessante esta inconstância da vida? Esse vai e vem, como as ondas.
Sabe o que é realmente intrigante? A disciplina e perseverança dos grandes atletas. Por que eles se submentem a isso? A força de um desejo talvez, o desejo de se superar, de alcançar.
Eu deveria buscar isso e me esquecer de pequenos valores que mudam ao longo da vida. Nada é para sempre mas a busca e o caminho que se escolhe talvez seja a diferença de muitos. As pedras e as flores vão sempre nos acompanhar, talvez mais pedras que flores....mas e daí? Nada é para sempre, nem o amor, nem a dor, nem as alegrias que se condensam em alguns momentos, nem a vida!
Um dia tudo acaba. A tormenta também. O som do mundo. As cores. Os sonhos. As realizações. Para uns termina antes do esperado. Por isso que a vida é valiosa. Pela expectativa da morte. Aquilo que pode ser perdido passa a ser valioso.
Me pergunto o que é para sempre?
As impressões que levamos da vida ou a construção que nela se fez?
Pensar na vida sob a perspectiva da morte ou, na morte, sob a perspectiva da vida. Talvez isto seja para sempre. No mais......são só ondas.

by Drika (http://drikaflor.zip.net/) Obrigado Adriana. Um dia digo-te qualquer coisa...

Esquecimento...


"Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?"

Coragem



O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim:
Esquenta e esfria,
Aperta e afrouxa,
Sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente... é coragem.

Guimarães Rosa

Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

Lágrima oculta



... "Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse a chorar isto que sinto!" ...

... "E as lágrimas que choro, branca e calma, ninguém as vê brotar dentro da alma! Ninguém as vê cair dentro de mim!"

Florbela

Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Hurt soul



Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente…
Talvez sejas a alma, a alma doente
D’alguém que quis amar e nunca amou!

Florbela

Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

O rio da vida


Ponte "Pedro e Inês" - Coimbra

"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida. Ninguém, excepto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem número, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio, mas isso te custaria a tua própria pessoa: te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Aonde leva? Não perguntes, segue-o!"

Nietzche

Devaneios...


Por entre as vicissitudes de uma longa vida, reparei que as épocas das mais doces delícias e dos prazeres mais vivos não são aqueles cuja lembrança mais me atrai e mais me toca. Esses curtos momentos de delíriro e paixão, por mais vivos que possam ter sido, não são, no entanto, e até pela sua própria intensidade, senão pontos bem afastados uns dos outros na linha da minha vida. Foram demasiados raros e demasiado rápidos para constituírem um estado, e a felicidade de que o meu coração sente saudades não é constituída por instantes fugidios, é antes um estado simples e permanente que em si mesmo não tem vivacidade, mas cuja duração aumenta o seu encanto ao ponto de nele encontrar finalmente a felicidade suprema.
em Os Devaneios doCaminhante Solitário - Jean-Jacques Rousseau

Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Me leve


Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Ferreira Gullar - Cantiga para não morrer

Hoje


Hoje,
particularmente hoje,
estou assim...
Meu corpo num canto jogado
Até o sol não saiu..
O pássaro que cantava,
sumiu..
O vento que soprava,
está parado
Hoje,
particularmente hoje,
O universo está calado..

Não partas!
Se partires
as velas de tua nau serão escassas
para enxugar-te as lágrimas - e nunca
nunca mais tocarás a pele das deusas
nunca mais a virilha das fêmeas dos homens
e nunca mais serás um deus.

--- O que as sereias diziam a Ulisses na noite do mar.

Paixão


... Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"
a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam o brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, corações aos tropeços ...

Pablo Neruda

O Vôo



Goza o vôo do anjo perdido em ti.
Não indagues se nossas estradas,tempo e vento,desabam no abismo.
Que sabes tu do fim?
Se temes que teu mistério seja uma noite,enche-o de estrelas.
Conserva a ilusão de que teu vôo te leva sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão
se pressentires que amanhã estarás mudo
esgota,
como um pássaro,
as canções que tens na garganta.
Canta.
Canta para conservar a ilusão de festa e de vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste não és mais que um vôo no tempo.
Rumo ao céu?
Que importa a rota.
Voa e canta enquanto resistirem as asas.

Voz Que Se Cala




Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...

Florbela

Sábado, 22 de Setembro de 2007

Ilusões de Vida



Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu.

Francisco Otaviano

Uma História Interminável

As paixões humanas são misteriosas, e as das crianças não os são menos que as dos adultos. As pessoas que as experimentaram não as sabem explicar, e as que as nunca as viveram não as podem compreender. Há pessoas que arriscam a vida para atingir o cume de uma montanha. Ninguém é capaz de explicar porquê, nem mesmo elas. Outras arruinaram-se para conquistar o coração de uma determinada pessoa que não quer saber delas para nada. Outras destroem-se a si mesmas porque não são capazes de resistir aos prazeres da mesa – ou da garrafa. Outras ainda arriscam quanto possuem num jogo de azar, ou sacrificam tudo a uma ideia fixa que nunca se pode realizar. Algumas pensam que só podem ser felizes noutro sítio que não naquele onde estão e vagueiam pelo mundo durante toda a vida. Há ainda as que não descansam enquanto não conquistam o poder. Em suma, há tantas paixões diferentes quantas as pessoas. A paixão de Bastian Baltazar Bux eram os livros. Quem nunca passou tardes inteiras diante de um livro, com as orelhas a arder e o cabelo caído para a cara esquecido de tudo o que o rodeia e sem se dar conta de que está com fome ou com frio. Quem nunca se escondeu por debaixo dos cobertores da cama a ler um livro à luz da lanterna eléctrica, depois de o pai ou a mãe ou qualquer outro adulto lhe ter apagado a luz, com o argumento bem-intencionado de que são horas de ir para a cama, pois no dia seguinte é preciso levantar cedo... Quem nuca chorou, às escondidas ou diante de toda a gente, lágrimas amargas porque uma história maravilhosa chegou ao fim e é preciso dizer adeus a personagens na companhia dos quais se viveram tantas aventuras, que se amaram e se admiraram, pelas quais se temeu ou ansiou, e sem cuja companhia a vida parece vazia e sem sentido… Quem não conhece tudo isto por experiência própria provavelmente não pode compreender o que Bastian fez em seguida.Olhou fixamente o título do livro e sentiu, ao mesmo tempo, arrepios de frio e ondas de calor. Aqui estava uma coisa com que tinha já sonhado muitas vezes, que tinha desejado muitas vezes desde que contraíra a sua paixão secreta: uma história que nunca acabasse! O livro dos livros!

in "Uma História Interminável", de Michael Ende.

The Neverending Story

Imagens do filme "Uma História Interminável" (The Neverending Story) com música "Sound of Freedom" dos Within Temptation

Terça-feira, 11 de Setembro de 2007


Nunca te é concedido um desejo sem que te seja concedida também a possibilidade de torná-lo realidade. Entretanto, é possível que tenhas que lutar por ele.

R.Bach

Domingo, 9 de Setembro de 2007

Don't Give Up - Peter Gabriel ft. Kate Bush

Don’t give up

In this proud land we grew up strong
We were wanted all along
I was taught to fight, taught to win
I never thought I could fail
No fight left or so it seems
I am a man whose dreams have all deserted
I’ve changed my face, I’ve changed my name
But no one wants you when you lose
Don’t give up
’cos you have friends
Don’t give up
You’re not beaten yet
Don’t give up
I know you can make it good
Though I saw it all around
Never thought I could be affected
Thought that we’d be the last to go
It is so strange the way things turn
Drove the night toward my home
The place that I was born, on the lakeside
As daylight broke, I saw the earth
The trees had burned down to the ground
Don’t give up
You still have us
Don’t give up
We don’t need much of anything
Don’t give up
’cause somewhere there’s a place
Where we belong
Rest your head
You worry too much
It’s going to be alright
When times get rough
You can fall back on us
Don’t give up
Please don’t give up
’got to walk out of here
I can’t take anymore
Going to stand on that bridge
Keep my eyes down below
Whatever may come
And whatever may go
That river’s flowing
That river’s flowing
Moved on to another town
Tried hard to settle down
For every job, so many men
So many men no-one needs
Don’t give up
’cause you have friends
Don’t give up
You’re not the only one
Don’t give up
No reason to be ashamed
Don’t give up
You still have us
Don’t give up now
We’re proud of who you are
Don’t give up
You know it’s never been easy
Don’t give up
’cause I believe there’s the a place
There’s a place where we belong

Não desistas porque,
mesmo quando falhámos e caimos,
há sempre a hipótese de nos levantarmos de novo.
Não desistas porque,
mesmo quando destoamos da multidão,
há sempre alguém que se prende no nosso olhar perdido.

Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

O adeus

O dia já se foi e fecha-se sobre nós como o nenúfar se fecha sobre o seu próprio amanhã. O que aqui nos foi dado, nós o conservaremos.
Mais um instante, e minha nostalgia começará a recolher argila para um novo corpo. Apenas um instante, um descanso sobre o vento, e outra mulher me dará à luz.
Foi somente ontem que nos encontrámos num sonho. Cantastes para mim na minha solidão e com teus sonhos construí uma torre no céu. Mas, agora, nosso sono fugiu, nosso sonho desvaneceu e já não é mais aurora. O meio-dia nos abrasa, nossa sonolência transformou-se em despertar, e temos que nos separar.
E se nos encontrarmos outra vez no crepúsculo da memória, cantarás para mim uma canção mais profunda.
E se nossas mãos se encontrarem noutro sonho, construiremos juntos outra torre no céu.

Khalil Gibran

Dust in the wind

Para que não fiquemos indiferentes!
"Dust in the wind" por Paula Fernandes, numa montagem - intensa e carregada de sensibilidade - da Nair.
Obrigado Andreia.

Dust In The Wind

I close my eyes, only for a moment, and the moment's gone
All my dreams, pass before my eyes, a curiosity
Dust in the wind, all they are is dust in the wind
Same old song, just a drop of water in an endless sea
All we do, crumbles to the ground, though we refuse to see
Dust in the wind, All we are is dust in the wind
Don't hang on, nothing lasts forever but the earth and sky
It slips away, all your money won't another minute buy
Dust in the wind, All we are is dust in the wind

O Louco


Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim: Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete máscaras que eu havia confeccionado em sete vidas - e corri sem máscaras pelas ruas cheias de gente, gritando: "Ladrões, ladrões, malditos ladrões!" Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim. E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: "É um louco!" Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua. Pela primeira vez o sol beijou minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: "Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!" Assim me tornei louco. E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

Khalil Gibran

Se

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que nela existe
E o que é mais: és um homem, meu filho!

"If", de Rudyard Kipling